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Quinta-feira, 4 de Maio de 2006

Os nossos serviços públicos

Há mais de três meses que estás notificado para ir testemunhar num caso que se passou há três anos e meio na Marinha Grande, e hoje finalmente chegou o dia. Lá vai o west às 9h30 para lá estar às 10h00, no tribunal da respectiva cidade, que por acaso é onde trabalho também, ou seja uma viagem extra. Encontro-me lá com as outras testemunhas e advogada de acusação. Esperamos, esperamos, e nada. Por fim perto das 10h35 fazem a chamada dos notificados. Advogado de defesa e arguida, nada! Mas que é que é feito daquela gente? Não sabem que não podem faltar a estas coisas? As multas para as faltas sem justificação são enormes e até podem levar a detenção até à hora do depoimento. Segunda chamada. Nada. Tudo na mesma.
Por fim o funcionário do tribunal chama a advogada presente. Daí a pouco aparecem com o comunicado aos presentes de que o julgamento era adiado sem data, ou seja nem a data prevista para o adiamento servia, se fosse caso disso, daqui a cinco dias, já que o processo de notificação da arguida e testemunhas deveria ser reiniciado por uma falha do tribunal -
esquecimento da notificação da arguida - é isso mesmo, o tribunal não avisou a arguida que iria ser julgada em tribunal neste dia. Dá para acreditar? Convocaram toda a gente menos quem tinha mesmo de lá estar sem falta.
Quem me paga as deslocações e tudo o mais? Por sorte não faltei ao trabalho porque só entro às 16h00, mas para a próxima não sei se vai ser assim. No meio do pedido de desculpas por parte do funcionário do tribunal, ficou registado verbalmente a minha indignação. Será que os tribunais também têm livro de reclamações?


sinto-me: irritado...mas não muito!
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lançado ao mar por west às 11:52
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Segunda-feira, 24 de Abril de 2006

Canções que marcaram a história

No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.

Às 22h 55m é transmitida a canção “E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas e que despoletava a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.

O segundo sinal foi dado às 0h 20 m, quando foi transmitida a canção “Grândola Vila Morena“ de José Afonso pelo programa Limite da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início da operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.


in "Wikipedia"
Ler mais aqui.



Paulo de Carvalho
E depois do Adeus



Zeca Afonso
Grândola Vila Morena

sinto-me:
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Sábado, 15 de Abril de 2006

Pode-me teletransportar?

07h02 da manhã, toca o telefone. O vigilante de serviço na portaria não reconhece o número que chama através da central, mas pelo indicativo identifica-o como sendo de perto. Atende. Diz o nome da empresa e um expressivo bom dia, como habitualmente: -G.V., bom dia! Se faz favor?
Do outro lado ouve-se um pedido, quase uma ordem: - Pode-me passar à zona fria!?
Faz-se silêncio. São poucos segundos, mas parece ser muito mais até o vigilante falar novamente, como se do lado de lá não viesse som algum, voz alguma, nada: - G.V., bom dia! Se faz favor?
- Pode-me passar à zona fria!? - ouve-se do outro lado da linha, desta vez com mais arrogância.
- Primeiro, isto não é nenhum “teletransporte” e depois, bom dia também para si, muito obrigado! Vou passar a chamada ao departamento da zona fria, não garanto é que você consiga lá chegar deste modo!


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Quinta-feira, 13 de Abril de 2006

O Labrador

Nazaré, final de uma tarde solarenga. O vento começa agora a soprar mais forte, refreando o calor que até aí permitira um bom dia de praia para alguns estudantes e turistas, apesar de estarmos ainda em Abril. É  mais uma maneira de se gozar o bom tempo que esta Páscoa nos oferece.
Numa das rampas de acesso à praia, em frente da Praça Sousa Oliveira (esplanada), um rapaz com cerca de 18 anos brinca com um cão que apesar do seu porte físico ainda é bebé. O rapaz faz “trinta por uma linha” ao pobre animal, que mesmo assim vai rodopiando, dando ao rabo, mordendo a trela que não o prende num acto contínuo de reciprocidade.
Outro rapaz a rondar a mesma idade está de parte encostado ao corrimão metálico que ladeia uma das partes laterais da mesma rampa, e ri, ri muito. Diz qualquer coisa imperceptível para quem está mais afastado. O outro parece entender, ri também. Continua a fazer umas palhaçadas com o animal e até o rabo lhe puxa. Do outro lado da rampa um casalinho de namorados também da mesma idade observa tudo aquilo. O segundo por fim diz para o primeiro algo verdadeiramente engraçado, a pedir uma reflexão filosoficamente mais demorada, “Eu não gostava de ser o teu cão!”

Daí a pouco aproximo-me e pergunto, “qual é a raça dele?”; “é um perdigueiro”, risada geral porque o dono do animal afinal não acertou na raça. “É um Labrador”, diz o terceiro rapaz, o elemento masculino do par de namorados, e todos eles riem muito. Afinal o suposto “dono” do animal só estava a tomar conta dele. O verdadeiro dono não estava ali naquele momento. Coitado do cão!

 

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lançado ao mar por west às 17:07
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Domingo, 9 de Abril de 2006

A consulta

Tonhe Caracol, chamado assim por ganhar a vida de Maio a Setembro na apanha de caracóis, não andava muito bem e o médico de família ordenou-lhe que fizesse um chek up, “uma p'rrada de exames e análzes”, dizia ele em tom de protesto e desabafo, “vai um gajo ao méd'c da famíla e ele ainda manda gastar uma pipa de massa p'a trazer estes papés todes, ah repá! Na chegava já o aumente que paguê p'a consulta(?)”.

Passadas três semanas, lá vai o Tonhe Caracol. Caminha ligeiro, de cabeça bem levantada, de mãos nos bolsos, de boné ligeiramente à banda, deixando mostrar toda a sua vasta e morena testa, com um bronzeado permanente de tanto sol apanhar (e não foi preciso ir à Corporación Dermoestética). Assobia qualquer coisa, que só ele provavelmente reconhece, ecoado pelo breu da noite. Leva debaixo do braço os exames que tanta dor de cabeça e trabalhão lhe deram, formando um grosso canudo preso com um elástico. É o primeiro a chegar à porta do centro de saúde e diz: “Primêres!”. Ali fica, sentado no banco de pedra corrido, encostado à parede do Centro de Saúde da Nazaré. Pensa em nada, dormita talvez.
Passados largos minutos, Manel Candil chega por sua vez, e diz: “Segundes”; “primêres”, retorquiu Tonhe Caracol quase simultâneamente, sem abrir os olhos, “q'horas são Manel?”; “São duas da matina, e tá a ficar uma zagania(*) q'até arrepia cabele”, respondeu o Manel Candil; “Zaganiiiiia!?... na sinte nada à Manel”, “Ohhh! É manera d'falar. Eu é que 'tou chê de fri e com errepis! Na vês que 'tou com um casaque q'até parece que tames em Dezembre. Até já fiz ingôd(**) e tude!”; “Olha sé a gripe das aves, ah repá! Questumas ir dar pão às gaivotas, já na sê... na te quere aqui ao pé d´mim. Chega p´ra lá, abernuncia cagalhão de gate!", disse Tonhe Caracol já com medo, enquanto se chegava mais para a ponta do banco.
Não falaram mais!... Dormitaram!... Tosse seca!... Espirro!
Quase pela manhã: “Tercêres” disse alguém; “primêres”; “segundes”. Dormitaram.
Pela manhã já havia consultas para mais de vinte. O médico só atende os primeiros 8 fora os outros!
Diziam mal do médico: que ia chegar atrasado porque era um bêbado, moina e que até fumava Charros.
Uma velhota que já o ouvira cantar no bar do 'Pé Leve' à frente do mar, perto de onde morava, dizia: “Uma tecáva nos tambores, e ele cantava, ma na' era cantar, parecia que 'tava a falar muite depressa. Aquile é um estroviade. Nem sê porqué que vem tanta gente p'ra ele!

Meio dia. Por fim chega o Dr. Rafael, um médico na casa dos trinta anos e solteirinho da silva, mais conhecido por Dr. Rafa, o qual sabia não dever nada à fama adquirida, nos últimos tempos. Olheiras de palmo e meio, meio despenteado, e telefone colado à orelha direita desde que chegara com o carro (um bruta de um BM série 7), até entrar para o gabinete que servia de consultório. Na outra mão, a mala de médico com uma bata branca a tapá-la parcialmente, “enfermeira Rita, bom dia, mande entrar o primeiro se faz favor, estou com pressa”, disse para a enfermeira de serviço, continuando a falar ao telemóvel.
A enfermeira Rita, um vistão, diria mesmo, uma paisagem monumental com aquela farda vestida, um autêntico avião. Aquilo até fazia ganhar vida a um morto.
Tonhe Caracol era o “primêres” e entrou com o monte de análises e exames pedidos na consulta anterior. Por fim o médico desliga o telemóvel, “Bom dia Sr. António”; “Bom dia à Sô Doutor. Tão aqui as análeses todas qu'me pediu”; “Ora vamos lá ver isso então”. O homem olha para aquele monte de papéis durante uns minutos, vê e revê, e voltar a ver. Mede a pressão arterial ao Sr. Caracol. Escreve, escreve, passa receita e regista no ficheiro do cliente, vulgo doente. “Atão sô doutor... o qué q'eu tenhe?"; o médico levanta-se calmamente e estica os braços na horizontal,vira-os para fora unidos pelo entrançar dos dedos das duas mãos (espreguiça-se... porra, assim é mais fácil e curto. Esta mania das descrições!), e começa o espectáculo hip-hop:


Não podes mais estar assim
nesse estado de demente
tens o cérebro dormente
e o corpo parece ausente.
A saída está ruim
tua mente está doente
o corpo não aguenta
o teu estado de demente.
Funcionas a carvão
mais lento não podes ser.
Estás a ir em vão???!
Assim não, assim não!
Vais correr, tomar ginseng
alteres praticar, o médico consultar
e um raio x efectuar.
Deixar o fumo é objectivo
e os molhos abandonar
o pão vais aliviar
a salada é que está a dar


Faz uma pausa e fala devagar: “Tem o colestrol muito alto e vamos fazer mais uns exames porque tem aqui qualquer coisa na cabeça, percebeu Sr. António?”, disse já a acalmar daquele momento único do qual o Tonhe Caracol foi espectador privilegiado de primeira fila. O homem estava siderado nos olhos do médico e nem palavra disse. Passados poucos segundos levanta-se num foguete e desata a correr consultório fora, e depois direito à rua com os braços no ar gritando, “O méd'c tá tonte, tá tude tonte, tá drogade, tá drogade e disse qu'eu táva tonte”.

Digamos que há pessoas que são mal interpretadas e não ajudam muito a sua fama. Expõem a sua veia artística fora dos ambientes próprios e depois dá nisto.
Foi mais um caso de um médico marginalizado e olhado de lado pelos seus doentes e pela população em geral. Tem amigos e amigalhaços(***) e continua a cantar no bar do 'Pé Leve' enquanto é acompanhado às percussões (bateria) pela enfermeira Rita, ao melhor estilo do improvisado e muito urbano hip-hop.


(*)Diz-se quando faz vento, frio e chove.
(**)Modo de dizer que uma pessoa vomitou.
(***)Más companhias, companhias por interesse.


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Devoradora

Na quinta-feira à noite, larguei tudo para passar uns momentos de intenso mas calmo prazer, envolto em livros, livros meus, que fui adquirindo de uma ou de outra forma ao longo da minha vida. Naquele cantinho do sótão, sentei-me no chão e comecei a olhar, a apalpar, a cheirar, a folhear, um a um, como se de preciosidades se tratassem. Na verdade é mesmo um tesouro para mim, pelo valor estimativo. Para a mais velhita, a Lua Pirata, aqueles livros são uma preciosidade útil. Lê-os a todos. Um a um, lá vão marchando pelas mãos da Piratita. Desta vez tirei das caixas mais meia-dúzia deles. Tendo em conta que irá ter os exames nacionais do 9º ano, terá leitura até final do ano. Nesses livros estão alguns que eu li quando tinha a sua idade. Que bem conservados que eles estão. Foi um prazer voltar a tocar-lhes, ler alguns excertos, separá-los para ela e imaginar a sua reacção. Ela adora livros, lê-os mais rápido do que aquilo que eu consigo. Lua Pirata devoradora de livros.

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Quarta-feira, 5 de Abril de 2006

Alguém

Alguém, que tem a mania de ser Chico esperto, não entregou a chave na portaria quando saiu do trabalho a meio da tarde, com um sol radiante que até fazia azia, mas a ameaçar chover. Outro alguém, precisou da chave, que era da manutenção, para fazer uma reparação, já fora d'horas. Ainda, outro alguém, telefonou ao primeiro alguém, devido à situação. Então esse alguém, que tem a mania de ser Chico esperto, teve de se deslocar ao local de trabalho para ir levar a chave, uma mera chave, que tinha esquecido de entregar na hora da saída, a meio da tarde, com um sol radiante que até fazia azia, mas a ameaçar chover. Assim, o outro alguém, já pôde reparar a avaria e assim continuar tudo nos conformes e em plena harmonia.
Alguém, que tem a mania de ser Chico esperto, teve de fazer uma porrada de quilómetros, já debaixo da chuva que ameaçava chover, e sem o sol radiante que até fazia azia, por causa de uma mera e simples chave. Afinal, ainda o outro alguém, o terceiro alguém, podia ter resolvido a situação com uma outra chave, uma mera chave, suplente, que poucos 'alguén's' sabiam existir. É natural que o primeiro alguém, o Chico esperto, tivesse ficado na merda quando soube no outro dia da existência da outra, e que, o outro alguém o tinha tramado, e bem, até com direito a apertão nas orelhas por parte do chefão.
Chicos espertos tramam-se a eles próprios, sempre foi e será assim. Não aprovo, mas o alguém, que é, ou tem a mania de ser Chico esperto, faz coisas muito piores. A ver vamos, se irá haver novos desenvolvimentos, ou não. Vou ficar à espreita dos acontecimentos. Promete!

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